- O que é isto?
- É um momento da sua amplidão.
- Como assim?
- Você entenderá um dia.
- Quem é você?
- Eu sou uma possibilidade que adquiriu consciência.
- Onde estamos?
- No tudo.
- O que é o tudo?
- É a sua vida.
- O que é a minha vida?
- É você.
- O que é este fluxo que eu sinto?
- É o ar nos seus pulmões.
- E este rugido dentro de mim?
- É a fome.
- E esta pulsação na minha virilha?
- É o seu tesão.
- Por que sinto essas coisas?
- São os seus pulsões primários, são a sobrevivência dentro de você. Você sempre os teve.
- Mas por que só os sinto agora?
- Porque você acaba de nascer.
- Mas eu já não havia nascido antes?
- As pessoas nascem a cada segundo.
- Então porque eu nasci mais agora do que antes?
- Assim como eu, você foi uma possibilidade que adquiriu consciência. Somos seres similares nesse aspecto.
- O que é um segundo?
- É uma parte do tempo.
- O que é o tempo?
- É a morte sob um microscópio.
- Mas eu não havia nascido do tempo? Eu nasci da morte?
- Exato. A morte de uma vida acarreta na incepção de outra.
- Como uma oscilação?
- Sim. As oscilações do pêndulo do tempo.
- Minha existência é uma luz piscando? Um elétron pulando camadas?
- Assim como a de todos os Outros.
- Há outros?
- Sim, mas seu ser se diluirá Neles.
- Mas eu não sou formado pelas minhas interações com eles, assim como eles são formados por mim?
- Correto. Entretanto, seu crescimento excessivamente focado no externo enfraqueceu seu ego. O Vazio, presente em todos, é maior em você. Por isso, o contato com Outros é como um ácido corrosivo, ele o queima e sublima e o espalha para as vidas Deles.
- Como posso combater meu próprio Vazio, então?
- Entre-se. No seu Vazio, você poderá observar os contornos da sua alma. Dessa forma, você terá a fórmula da substância que forma sua essência.
- E então?
- Construa-se.
- Mas... Você não faz parte dos outros?
- Não.
- Quem É você?
- Sou o sopro.
- E eu?
-