terça-feira, 23 de setembro de 2014

Sobre flores e segredos

Posso estar terrivelmente enganado, mas suponho que tu exales talvez um ar orquidiano. A orquídea, de certa forma, é a planta mais agradável para se adotar como a tua predileta. Ela é convencionalmente bela, mas também tem o poder de manter em si ares exóticos. Em conversas reservadas, todas as abelhas ponderam entre si quais segredos obscuros a orquídea deve guardar no correr da sua seiva. Suspeito que, se ela pudesse mover-se e articular palavras, se manteria sempre instrospectivíssima, assim como tu. Também desconfio que, se algum dia todos os seus mistérios escorressem de si, por um corte desajeitado porém certeiro do botânico, os habitantes do jardim forjariam um cerne exasperado em coletivo, enquanto que por dentro exclamariam “mas era isso?”. Ou então verdadeiramente se surpreenderiam, mas ao cabo de alguns dias estariam novamente absortos em suas fofocas cotidianas sobre pólens e pétalas. Francamente, não posso prometer-te a certeza de que minha resposta seria diferente. Entretanto, te perguntaria minhas perguntas por quiçá algo além da vã curiosidade, por uma vontade de te conhecer mesmo. A orquídea provavelmente retém questionamentos simples, o que não a faz menos ampla. Pois é o seu aroma que a torna fascinante. Sua aura é absolutamente limpa.

Mas agora devo te perguntar: achas tu que as orquídeas cruzam com lírios?