A sombra do suicídio anda pairando sobre a minha cabeça nos últimos tempos.
Não sei o que fazer.
Uma parte minha achou, ingenuamente, que as coisas haviam mudado, que tudo agora seria luz e futuro.
Não, isso é mentira. Eu não fui estúpido.
Mas acho que eu realmente pensei que tinha saído do pântano.
Não, porque o pântano mora no meu coração vazio.
E eu caí em outro buraco, e me entreguei a outra paixão icárica, e virei a cabeça para longe da responsabilidade para com a minha própria vida.
Para com a minha própria felicidade.
Agora tô afogando no pântano de novo.
Meu corpo é coberto de chagas.
Meu futuro é invisível.
Sou imprestável.
Não faço nada mais.
Não escrevo, não faço planos, não me exercito.
Confiei naquelas cápsulas verde-com-branco, depois azul-com-branco, depois comprimidos, pra resolver tudo.
E não resolvi nada de novo.
E estou aqui de novo.
E, de novo, parece que a única saída plausível é pegar a pistola na gaveta do meu pai e meter uma bala no meio dos meus miolos.
E, de novo, sei que nunca vou conseguir fazer isso.
Só me resta o arrasto agora.
E as pequenas distrações.