Aperto as mãos torço os dedos prendo a respiração tudo por uma angústia louca de não ter feito certo, de não ter sido agradável interessante instigante o suficiente, quero sempre buscar uma absolução que nunca vem, e então me torno um bicho abissal gemendo se contorcendo peidando morrendo pulando e correndo, temendo a verdade de quem eu sou. Sou inconstante demais, ora quero me enterrar no chão e dormir pra sempre, ora quero ser de tudo e de todos. Mas sou os dois. E sendo os dois, não posso ser nenhum. Quero morrer. Quero viver. Quero sobreviver. Quero nada, pois é a mesma coisa que querer tudo. E por isso não posso jamais ter a minha própria unidade. E então grito. Mas só sou assim porque preciso das pessoas. Até mesmo escrevendo esta patética tentativa de desabafarte imagino se um outro me apreciaria ao lê-la. Porque eu sou os outros. Eu não sei em que ponto eu deixei de ser eu e virei os outros. Mas viver pelos outros não é viver. É parasitar, é juntar migalhas de existência e fazer uma farofa pobre e estranha, nem um miserável pode se alimentar dela. Porra, já tô me exaustando escrevendo isto. Tudo me cansa. Mas eu não quero mais ficar empacando, tendo burstos milisegundais pra depois deitar no abismo de novo. Não, eu quero jorrar. Quero sempre jorrar. Mas eu não consigo. E por isso eu não consigo achar valor em mim mesmo. Não consigo nem mesmo me propôr um tema, alguma identidade que for. Esse desabafarte já é outro. E logo será outro de novo. Ser mutável é um inferno, mas eu sou um mutável escasso ainda, fazer um pra mim me dá o cansaço de fazer dez.
Eu nunca soube o que fazer.
Eu não sei nem se tudo isso esparramado aqui é verdade. Em algum plano tem que ser, mas é uma verdade muito dentra, é como uma miragem. Não sei se o que sinto são miragens ou gritos abafados. Mas pelo menos eu fiz algo com isso. É um consolo.
Porque eu nunca tenho vitórias, só consolos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário