Posso
estar terrivelmente enganado, mas suponho que tu exales talvez um ar
orquidiano. A orquídea, de certa forma, é a planta mais agradável para se
adotar como a tua predileta. Ela é convencionalmente bela, mas também tem o
poder de manter em si ares exóticos. Em conversas reservadas, todas as abelhas
ponderam entre si quais segredos obscuros a orquídea deve guardar no correr da
sua seiva. Suspeito que, se ela pudesse mover-se e articular palavras, se
manteria sempre instrospectivíssima, assim como tu. Também desconfio que, se
algum dia todos os seus mistérios escorressem de si, por um corte desajeitado
porém certeiro do botânico, os habitantes do jardim forjariam um cerne
exasperado em coletivo, enquanto que por dentro exclamariam “mas era isso?”. Ou
então verdadeiramente se surpreenderiam, mas ao cabo de alguns dias estariam
novamente absortos em suas fofocas cotidianas sobre pólens e pétalas.
Francamente, não posso prometer-te a certeza de que minha resposta seria
diferente. Entretanto, te perguntaria minhas perguntas por quiçá algo além da
vã curiosidade, por uma vontade de te conhecer mesmo. A orquídea provavelmente
retém questionamentos simples, o que não a faz menos ampla. Pois é o seu aroma
que a torna fascinante. Sua aura é absolutamente limpa.
Mas
agora devo te perguntar: achas tu que as orquídeas cruzam com lírios?
a cruza dos dois é possível e inclusive belíssima, pois dá origem ao desconhecido orquírio, também chamado de gérbera branca
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