Há algo de misterioso no mar para mim
Uma atração que não é bem violenta
Mas mais calma, quieta, graciosa
Até mesmo no terror da tormenta
Algo que não se pode colocar em prosa
Não sei se é essa vastidão quase infinita
Ou a sua profundidade, tão assustadora
Talvez seja pelo palco que ele uma vez já fora
Berço da vida, sua invenção mais bonita
Sei que quando criança, no mar eu me sentia rei
Senhor daquele feudo gargantuoso e turquesa.
Agora, na selva urbana
Não passo de rato, nunca mais alteza.
Apesar disso, jamais me esquecerei
Daquela aura magnética que o gigante azul emana.
E, mesmo depois do passar dos anos
Há vezes que ainda quero me atirar na água
Me lavar do mundano e do sujo
Declarar meu amor ao oceano
Meu amor de marujo.
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