domingo, 5 de agosto de 2012

Grief

  Na minha rua, tinham esses dois cachorros vira-latas que vieram pra cá faz uns meses.  Um deles era miúdo e cor-de-caramelo, e o outro era atarracado, com o pelo cor preto meio sujo. No geral, eu era meio indiferente a eles, mas os achava fofinhos. Quase sempre que eu saía, eles vinham latir pra mim. Eu me irritava um pouco com isso. Nas últimas vezes, porém, eu deixei eles me cheirarem, pra ver se ao menos me reconheciam e paravam de ficar ladrando. Eles dormiam na grama que ficava na frente na casa da vizinha. Eles sempre andavam juntos. Talvez os dois tenham sido abandonados pelo mesmo dono. O fato é que, anteontem, um deles foi atropelado e morreu. Foi o pretinho. Eu fiquei sabendo ontem. Não fiquei muito triste nem nada, mas penso um pouco no outro. Eles eram tão companheiros, e eu fico imaginando como o cor-de-caramelo tá se sentindo agora. O pretinho foi enterrado na mesma árvore que a minha antiga cadela está agora. Minha mãe diz que não viu o miúdo hoje. Talvez ele tenha ido embora pra sempre. Talvez ele volte. Acho cruel a maneira que a vida tratou eles. Eu só espero que ele consiga ser feliz de novo, que talvez ache um outro amigo. Espero que, pra onde quer que os cães vão quando morrem, eles se reencontrem lá. Espero que eles recebam a chance de felicidade que eles mereciam ter aqui. Queria deixar um sinal de respeito aqui, por mais medíocre que seja.


R.I.P.
Pretinho
e todos os outros animais 
a quem a justiça deu as costas.

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