terça-feira, 25 de abril de 2017

Sobre fumar em casa

Acendo outro cigarro
Logo após apagar o primeiro
Pois só consigo existir em relação a algum outro
Não aprendi a ser sozinho, em quietude
Ao mesmo tempo criei ranço
De gastar boca e ouvido
Nos meus momentos de absoluta sovinhez
Em conversas de queijo suíço
E de fazer amigos por garantia
Não quero me tornar aquele
Que conversa com outro simplesmente
Para ter um diálogo consigo mesmo
Por isso tropeço e caio
No vão agonizante
Entre o diluir-se em outros
E o mergulhar em si próprio
Lá faço o meu ninho
Pois ainda me apavoro com a liberdade
Também chamada de
Plena solitude.

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