Era uma manhã quente de formatura. O batalhão escolar encontrava-se disposto nas fileiras em forma, como sempre. Porém, este era um dia muito especial. De fato, era o aniversário de cem anos do CMPA. Originalmente ele havia sido planejado para vinte e dois de março, mas, devido a certos infortúnios, a data havia sido movida para vários meses mais tarde. Os alunos suavam e agonizavam sobre a tentação de se coçar, mas ficaram perfeitamente firmes, pois esta não era uma formatura como qualquer outra. Deviam caprichar na postura. Havia porém, uma sensação muito estranha no ar. Por alguma razão, todos os presentes sentiam que de alguma forma, um evento de extrema importância se desencadearia naquele dia. Descartaram isso como ansiedade para a grande hora. Não poderiam estar mais errados ao pensarem assim. O grande relógio do colégio bateu meio-dia. O comandante, com sua postura pacífica usual, pigarreou e se preparou para começar o discurso. Aproximou a boca do microfone e começou:
- Caros alunos do Casarão da Várzea...
Sua fala foi interrompida, porém, por um repentino escurecer dos céus. Uma grande nuvem se prostara na frente do Sol. Muitos consideraram essa mudança inesperada, pois a previsão do tempo da noite anterior anunciara um dia limpo. Um tanto desconfiado, mas ainda calmo, o comandante tentou continuar:
- Nos encontramos reunidos aqui hoje, num dia tão especial, para celebrar o centenário de nosso nobre estabelecimento...
Sua fala foi novamente interrompida, desta vez por um enorme rugido de um trovão distante. As pessoas começaram a se preocupar, sem saber por quê. E então, repentinamente, todo o céu se tornou vermelho. Expressões de terror se formaram nos rostos dos cidadãos. Uma grande luz brilhou de cima, quase os cegando. Então parou. Quando voltaram suas cabeças para o alto, havia uma coisa enorme, uma espécie de relógio pairando, mas com sete selos no lugar de horas. Foi neste momento que outra luz cegante apareceu, na frente do relógio, e quando parou de brilhar, revelou um homem, parado entre sete candelabros de ouro flutuantes, vestindo uma longa túnica até os pés, com uma faixa dourada no peito. Sua cabeça e seus cabelos eram brancos, seus olhos eram como chamas de fogo, seus pés como metal incandescente. Ele segurava sete estrelas na mão direita. Uma espada de dois gumes saía-lhe da boca. O seu rosto era como o Sol, brilhando com toda a força.

Sua boca se abriu e ele falou, sua voz como o rumor de muitas águas:
- "Eu sou o Primeiro e o Último, Alfa e Ômega, o Início e o Fim. Vosso tempo acabaste, hereges. Trago-lhe o que foi previsto no Livro de Revelações."
Levantou ambos os braços então, e os apontou um pouco para a direita, em direção ao primeiro selo. Este brilhou e desapareceu. Do céu começaram a chover então, vários meteoros flamejantes. As pessoas começaram a correr e gritar, o caos se instaurou. Jesus moveu seus braços, e o segundo selo foi quebrado. Dezenas de hecatônquiros irados desceram rasgando os céus, e a chacina começou. Seus cem braços devastavam tudo ao seu alcance, enquanto o sangue de inocentes chovia no pátio. Ao abaixar de seus braços, o terceiro selo foi quebrado. Um terremoto sacudiu a Terra, e uma enorme fenda se abriu no solo, donde bestas draconianas saíram voando, e estas caíram sobre os primogênitos como hienas sobre a carniça. Ao romper do quarto selo, os genitais dos homens caíram como maçãs apodrecidas, as mulheres promíscuas foram acometidas pela sífilis e gonorréia de prostitutas da Babilônia, as grávidas deram a luz à chacais que rasgaram-lhe o ventre e devoraram-lhe o útero, e os homossexuais foram sodomizados por cem centauros negros satânicos que romperam pelos portões do colégio. Quando o quinto selo desapareceu, sete alunos levitaram cinco metros no ar, com flamas azuis ascendendo de seus olhos, formando um círculo, aonde um pentagrama escarlate apareceu. Disto, abriu-se um portal, daonde saíram seiscentos e sessenta e seis servos demoníacos, seguidos então por nada menos do que o príncipe das trevas, Ba‘al Azabab, ou Beelzebub, que tinha compridos chifres afiados, uma longa capa feita das peles de virgens violadas, e um falo monstruoso e gelado como a neve. Este tomou-se então de seu tridente, e ordenou aos demônios a morte dos homens e a deturpação das mulheres. No quebrar do sexto selo, um buraco negro se abriu no céu, e deste apareceu um monstro colossal, de dezenas de metros de altura, saindo até seu tronco do buraco. Possuía um milhão de olhos, 12 garras e 6 cornos. Sua cabeça era uma caveira, sua pele tinha a cor de fezes infectadas, sua boca cuspia trovões e bolas de fogo e de suas garras lançava trovões. A este ponto o CMPA não passava de ruínas tingidas com o sangue de alunos, professores e militares. Alguns sobreviventes tentavam fugir, mas a maioria era dizimada. O Filho de Deus então, uniu suas palmas, como prece, e levantou os braços, apontando-os para o último selo. Este iluminou-se e foi rompido. Sentiu-se um grande tremor e a única parede de concreto que havia restado da destruição desmoronou. Detrás da poeira, apareceu uma criatura gigantesca, com cabeça de lula e asas. Era nada mais nada menos do que o próprio Cthulhu. Parecia que os Antigos haviam se juntado à festa. E o resto, como dizem, é história.
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