segunda-feira, 30 de julho de 2012
A Dama
Foi na penumbra da minha alma que a sua luz me deslumbrou. Seus cabelos eram vermelhos e rutilantes como o fogo, e sua tez alva como o manto da virgem. Seu corpo nu se desenrolava em formas curvas e voluptuosas, como que formando uma paisagem montanhosa coberta pela brancura da neve. Seus olhos semi-cerrados eram azuis como o céu. Expressavam tal graça que eu poderia deitar e esperar serenamente pelo ceifador sob aquele olhar.
Tremendo, eu me aproximei do portal. Dali, eu podia ouvir sua respiração lenta e graciosa, e sentir o aroma de favos de mel e gengibre que o aposento exalava. Oh, se ela pudesse ao menos notar a minha presença!
Nervoso, pigarreei e me apresentei formalmente. Ela não mexeu um músculo. Falei de novo, mais alto. Novamente, a moça se manteve imóvel. Desesperado, comecei a gritar, clamando pela sua atenção; mas foi como o som de mil sirenes no vácuo do nada. De repente, o som de passos ao longe.
Eles estavam voltando.
Assustado, agarrei a moldura do portal e, com todas as minhas forças, tentei atravessar a passagem para aquele outro mundo, como um homem infeliz que, apoiando-se no balaústre da desgraça, se joga no tempestuoso mar da insanidade. Mas foi em vão. Nesse momento, os seguranças chegaram e me detiveram. Fui drogado e arrastado de volta para o meu quarto. Em minha cela mental, eu fui informado que o quadro fora removido do corredor. Nunca mais vi a dama do retrato.
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